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Opinião não é estratégia: o perigo dos pitacos no marketing

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Marketing

Opinião não é estratégia: o perigo dos pitacos no marketing

Por que o marketing é o único setor onde todos se sentem especialistas? Veja como blindar suas estratégias contra os pitacos de outras áreas.

Conteúdo escrito por um humano

Conteúdo por:

Paulo Neto

Gerente de Contas

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Imagem: Imagem gerada por inteligência artificial

Você já viu o profissional de marketing bater à porta do departamento financeiro para dizer que a planilha do Excel ficaria mais bonita com outra fonte? Ou o analista de redes sociais ir até à manutenção e sugerir uma mudança na fiação por que "gosta mais de outro jeito"?

Provavelmente não. Mas o inverso acontece todos os dias.

O marketing digital e a publicidade corporativa sofrem de uma condição peculiar no mundo dos negócios: a síndrome do especialista universal. Por ser uma área que lida com a comunicação e a vitrine da empresa, elementos que todos consomem diariamente, criou-se o mito de que qualquer pessoa com uma opinião está qualificada para ditar a estratégia de marketing.

Se você trabalha em uma assessoria de marketing ou lidera o setor interno de uma empresa, sabe o quanto os "pitacos" paralelos podem custar caro, mesmo que às vezes façam sentido.

Por que todo mundo se sente capaz de opinar?

O erro de diagnóstico começa na confusão entre consumo e estratégia. Como diretores, gerentes de vendas e assistentes administrativos possuem contas no Instagram, assistem a comerciais e navegam pela internet, eles assumem que entendem o mecanismo por trás do comportamento do consumidor.

A verdade é que gostar ou não de uma cor, usar ou não o TikTok, ou achar uma legenda "longa demais" são percepções baseadas em vivências individuais.

No entanto, o marketing profissional não é feito para agradar os funcionários da empresa. Ele é feito para converter o público-alvo. Quando o gosto pessoal substitui o estudo de personas, a marca perde o rumo.

O impacto nos resultados

Quando a liderança do setor ou a empresa terceirizada cede à pressão para acomodar os palpites de outros setores, o resultado é o chamado Efeito Frankenstein.

A campanha perde a sua essência. A mensagem central fica diluída para tentar agradar a todos internamente e, no fim das contas, não conversa com quem realmente importa: o cliente final.

Mudar a identidade visual de um anúncio porque "fulano achou muito simples" desconsidera que, muitas vezes, o design minimalista é o que gera maior taxa de conversão (CTR) nos testes. O achismo corporativo gera ruído, atrasa entregas e, pior, destrói o Retorno sobre o Investimento (ROI).

Como blindar o marketing e estabelecer limites profissionais

Mudar esse cenário exige postura e processos claros. Se você quer proteger a estratégia da sua empresa contra os pitacos de outras áreas, adote três passos fundamentais:

  1. Defina papéis claros: Os outros departamentos devem apontar os problemas, enquanto o Marketing desenvolve a solução. Vendas pode reportar: "Precisamos de leads mais qualificados para o produto X". A partir daí, a mecânica da campanha é responsabilidade do marketing.

  2. Evite comitês de aprovação gigantescos: Quantas pessoas precisam aprovar uma arte ou um texto? Se a resposta for maior que duas, você tem um problema de eficiência. Centralize a aprovação na liderança direta do setor.

  3. Crie uma cultura de testes: Diante de um impasse baseado em gosto pessoal, teste. Coloque a versão da agência e a versão sugerida pelo outro diretor para rodar com uma verba pequena. Deixe que o público e o mercado decidam qual traz mais resultado.

Opinião não gera receita

Contratar especialistas, sejam eles internos ou uma assessoria de marketing terceirizada, e não deixá-los trabalhar é uma das maiores fontes de desperdício de dinheiro no ecossistema corporativo atual.

Se você confia no seu financeiro para fechar o balanço e na sua manutenção para cuidar da estrutura física da empresa, é hora de dar o mesmo voto de confiança e autonomia para quem cuida do crescimento e do posicionamento da sua marca.